Friday, February 25, 2011

Adriana Lisboa

Eu fui para a palestra da Adriana Lisboa quando falou de tradução. Eu achei a palestra muito interessante, especialmente como ela falou que como tradutora, ela tem que ser um espelho e nada mais. Eu acho que seria muito difícil traduzir a obra de uma outra pessoa sem trasmitir um pouco de si mesmo. Como ela é escritora e tradutura, eu acho que às vezes deve ser difícil pular de uma identidade para a outra. Em vez de ser somente um espelho, quando escreve suas próprias obras ela tem que ser criativa e faz o que quiser. Seria completamente diferente.
"humor" (Oswald de Andrade, "Amor," p. 244)

Achei esse poema muito interessante. Lemos o poema como parte do estudo de humor em poesia, mas eu também acho que esse poema poderia fazer parte do poesia concreto. O poema desafia as regras de poesia porque o poema inteiro é somente uma palavra. Essa única palavra deixa muito para o leitor interpretar. Por exemplo se amor é humor, nós poderíamos também falar que humor é amor? Talvez não. Então, o leitor tem que pensar e decidir qual é a relação entre as duas palavras. Para mim, eu acho que amor precisa de humor para durar. Seria difícil existir o amor sem humor. Mas, do outro lado, existe muito humor sem amor no mundo de hoje. Às vezes é um humor que prejudica as outras pessoas. Então seria melhor se o humor também tivesse mais amor incluído.

Thursday, February 17, 2011

Por acaso

"socaa/oscaa/scoaa..." (Augusto de Campos, "Acaso", p. 362)

Não vou tentar citar mais desse poema, porque tem uma estrutura bem diferente. Eu gostei muito de aprender sobre a poesia concreta. Esse poema é uma representação de um acontecimento que acontence por acaso. Faz-me lembrar da crônica O milagre das folhas escrito por Clarice Lispector, porque os dois falam e explicam algo bem ordinário. Clarice Lispector fala sobre as folhas que caiam, e como ele as guarda por serem milagres. Também esse poema faz isso. Geralmente nem pensamos sobre a organização das letras quando escrevemos uma palavra, mas Augusto de Campos mostra de uma maneira quase matemática como a palavra acaso somente acontece por acaso. Talvez os dois escritores querem que nós prestemos mais atenção às coisas ordinárias e que demos mais valor a elas.

Thursday, February 10, 2011

Censura e a cilaba verbal

"Há vários modos de matar um homem:
com o tiro, a fome, a espada
ou com a palavra
--envenenada."
(Sant'Anna, A. "Cilada verbal", 404)

Achei esse poema muito interessante, especialmente quando eu entendi contexto social. Affonso Romano de Sant'Anna escreveu esse poema quando o Brasil estava sofrendo por causa do regime militar. Essa informação me fez lembrar do que aprendi no curso de Hístoria do Brasil. Foi muito interessante, e triste aprender sobre o que aconteceu nessa epoca. Depois do golpe, havia muita censura. Por causa da censura, os cantores e autores tinham que ser muito criativos para que as obras pudessem ser publicadas. É possível que essa censura os ajudou pensar mais profundamente para poder esconder a sua mensagem. Talvez os ajudou a serem melhores artistas. Esse poema foi publicado durante essa epoca e fala sobre essa censura, mas embora tivesse censura, Sant Anna consegiu escrever sobre a censura e o poder da palavra.

Thursday, February 3, 2011

Meu ideal

"Meu ideal seria escrever uma história tão engraçada que aquela moça que está doente naquela casa cinzenta quando lesse minha história no jornal risse, risse tanto que chegasse a chorar e dissesse-"ai meu Deus, que história mais engraçada!" E então a contasse para a cozinheira e telefonasse para duas ou três amigas para contar a história, e todos a quem ela contasse rissem muito e ficassem alegremente espantados de vê-la tão alegre. Ah, que minha história fosse como um raio de sol," ("Meu ideal seria escrever...", Rubem Braga, 94)

Eu gosto das crônicas porque elas são mais claras. Acho esse conto um bom exemplo, como Rubem Braga fala exatamente sobre o que quer. Na verdade, eu não devo falar que é Rubem Braga que quer escrever algo tão engraçada, porque não tem evidência disso. Mas eu gosto de pensar que o escritor tem esse motivo puro. Então, pode ser o narrador que quer escrever essa história. É um motivo puro, mesmo que queira que muitas pessoas leiam e falem para as outra pessoas lerem também. O narrador não quer isso para ser uma pessoa mais famosa, ou receber mais dinheiro ou nada assim. É somente para abençoar a vida dos outros. A ultíma frase "como um raio de sol" faz me pensar sobre as escrituras que falam que devemos ser como a luz do mundo. É a luz que faz essa diferença nas pessoas, como essa história engraçada pode fazer na vida da moça que está doente.